
O estado do Maranhão contabilizou 69.796 processos judiciais relacionados à violência doméstica e familiar contra a mulher entre 2016 e 2026, conforme levantamento realizado pela Predictus, empresa especializada em dados judiciais. Embora o volume absoluto seja expressivo, a análise proporcional revela que o estado possui uma das menores taxas do país, com 969,4 processos por 100 mil habitantes.
Esse índice, no entanto, pode não refletir uma menor incidência de crimes, mas sim graves dificuldades de acesso ao sistema de Justiça por parte das vítimas.
O cenário coloca o Maranhão em uma posição distante de unidades federativas como o Distrito Federal, onde a taxa supera 11 mil processos por 100 mil habitantes. Para Hendrik Eichler, fundador da Predictus, essa discrepância evidencia falhas na estrutura institucional, sugerindo que a baixa taxa decorre da dificuldade em transformar episódios de violência em registros formais.
Fatores como a carência de delegacias especializadas, barreiras socioeconômicas e as longas distâncias entre os municípios e as sedes judiciais contribuem para o silenciamento desses casos.
Essa realidade reforça um padrão nacional de desigualdade no enfrentamento à violência de gênero. Em regiões com infraestrutura estatal limitada, a maior parte dos crimes sequer chega ao conhecimento das autoridades.
Estimativas indicam que menos de 10% dos casos de violência doméstica no Brasil são efetivamente judicializados, o que demonstra que os dados oficiais representam apenas uma fração de uma realidade muito mais complexa e grave no território maranhense.