A expectativa de vida no Brasil sofreu uma redução significativa durante a pandemia de covid-19, com queda média de 3,4 anos e aumento de 27,6% na mortalidade, segundo a análise nacional do Estudo Carga Global de Doenças, publicada na revista The Lancet Regional Health – Americas.

O levantamento mostra, no entanto, que os impactos variaram bastante entre os estados. No caso do Maranhão, a redução foi uma das menores do país: 1,86 ano, o menor recuo entre todas as unidades da Federação analisadas na região Nordeste.
Segundo os pesquisadores envolvidos no estudo, essa diferença regional está associada às estratégias adotadas pelos governos estaduais em um contexto de ausência de coordenação nacional mais centralizada durante a crise sanitária. No Nordeste, foi destacada a formação de um consórcio entre estados, com apoio de um comitê científico independente, responsável por orientar medidas de contenção da covid-19.
Entre as ações mencionadas no estudo estão o distanciamento social, o fechamento temporário de escolas e comércios, a obrigatoriedade do uso de máscaras, políticas de proteção a trabalhadores e a criação de sistemas de monitoramento de dados em tempo real.
De acordo com a análise, essas medidas podem ter contribuído para que alguns estados nordestinos, como o Maranhão, registrassem quedas menores na expectativa de vida em comparação com outras regiões do país.
Apesar do impacto da pandemia, o estudo também destaca avanços de longo prazo na saúde da população brasileira. Entre 1990 e 2023, a expectativa de vida no país aumentou 7,18 anos, enquanto a mortalidade padronizada por idade caiu 34,5%. O indicador de anos de vida saudáveis perdidos por morte ou doença também apresentou redução de 29,5%.
O estudo aponta ainda melhorias estruturais, como o avanço do saneamento básico, crescimento econômico, ampliação do Sistema Único de Saúde (SUS), expansão do Programa Saúde da Família e fortalecimento das políticas de vacinação, como fatores que contribuíram para esses resultados positivos ao longo das últimas décadas.
Em 2023, as principais causas de morte no Brasil foram doenças isquêmicas do coração, acidente vascular cerebral (AVC) e infecções do trato respiratório inferior. Já entre as mortes prematuras, a violência interpessoal aparece como a principal causa, com estimativa de 1.351 anos de vida perdidos por cem mil habitantes.
Mesmo com os impactos da pandemia, o Brasil apresentou ganhos gerais em saúde no período analisado, mas o estudo reforça que parte das perdas poderia ter sido reduzida com estratégias mais coordenadas em nível nacional.