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Maranhão registra taxa de 31,1 homicídios por 100 mil habitantes, aponta Atlas da Violência

O Maranhão registrou taxa de 31,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, índice superior à média nacional, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Enquanto o Brasil contabilizou taxa nacional de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes, o menor patamar dos últimos 11 anos, o Maranhão aparece entre as 18 unidades da federação com índices acima da média do país.

De acordo com o levantamento, o Brasil registrou oficialmente 42.590 homicídios em 2024, representando uma redução de 7,4% em comparação com 2023. Apesar da queda nacional, o cenário maranhense continua acima do índice brasileiro.

No ranking nacional, os maiores índices de homicídios foram registrados no Amapá, com 45,7 mortes por 100 mil habitantes, seguido por Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).

O Maranhão surge nesse grupo de estados com níveis elevados de violência letal, com taxa de 31,1 homicídios por 100 mil habitantes.

Já São Paulo apresentou o menor índice do país, com 6,6 homicídios por 100 mil habitantes, número equivalente a aproximadamente um terço da média nacional.

Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, a redução observada no Brasil está relacionada a uma combinação de fatores, incluindo mudanças demográficas, melhorias na gestão da segurança pública em alguns territórios e uma diminuição da intensidade dos conflitos ligados ao narcotráfico.

O técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, afirma que a disputa entre facções criminosas pelo controle das rotas do tráfico, especialmente entre PCC e Comando Vermelho, provocou forte escalada da violência em anos anteriores, principalmente entre 2016 e 2017.

Conforme o pesquisador, estados localizados em rotas estratégicas do narcotráfico e áreas de escoamento para capitais do Nordeste registraram redução dos homicídios após esse período de conflito mais intenso.

Além do Maranhão, outros estados nordestinos continuam apresentando taxas elevadas de homicídios, evidenciando os desafios persistentes na segurança pública da região.

O levantamento também faz um alerta sobre possível subnotificação nos dados oficiais. Isso porque houve aumento dos registros classificados como “mortes violentas por causa indeterminada”, categoria utilizada quando não é possível identificar a motivação básica do óbito.

Ao recalcular os chamados “homicídios ocultos”, os pesquisadores estimam que o Brasil pode ter registrado, na realidade, 49.673 homicídios em 2024, elevando a taxa nacional para 23,4 mortes por 100 mil habitantes. Nesse cenário, a redução anual seria de apenas 0,4%, significativamente menor do que a queda de 7,4% observada nos dados oficiais.

Confira as taxas de homicídios por 100 mil habitantes em alguns estados do Nordeste em 2024:

  • Bahia: 40,9
  • Pernambuco: 37,3
  • Alagoas: 35,9
  • Ceará: 34,3
  • Maranhão: 31,1
  • Paraíba: 25,7
  • Rio Grande do Norte: 23,5
  • Sergipe: 23,0
  • Piauí: 20,6

Os dados integram o Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, utilizado como base pelo Atlas da Violência para mapear os indicadores de violência letal no país.

Categoria: Notícias

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