O Maranhão registrou taxa de 4,4 homicídios de mulheres por 100 mil habitantes em 2024, índice acima da média nacional, que ficou em 3,4 mortes por 100 mil mulheres, segundo dados do Atlas da Violência 2026.

O levantamento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que o estado maranhense permanece entre os locais do país com níveis elevados de violência letal contra mulheres.
No cenário nacional, o Brasil contabilizou 3.642 mulheres assassinadas em 2024, uma redução de 6,7% em relação a 2023, quando foram registrados 3.903 casos.
Apesar da queda geral, os dados revelam desigualdades regionais importantes, com estados das regiões Norte e Nordeste concentrando algumas das maiores taxas.
No Nordeste, o Maranhão aparece com índice superior à média brasileira e próximo de outros estados da região, como Ceará (5,7), Bahia (5,4) e Pernambuco (5,4). Já estados como Rio Grande do Norte (2,8), Sergipe (2,2) e Paraíba (3,4) registraram números menores.
Os pesquisadores alertam que os indicadores exigem cautela. Segundo a socióloga e diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, houve crescimento dos registros classificados como mortes violentas de “causa indeterminada”, o que pode esconder assassinatos não corretamente identificados.
VIOLÊNCIA DENTRO DE CASA
O estudo mostra ainda que 35,2% dos assassinatos de mulheres no Brasil ocorreram dentro das residências das vítimas, percentual que permaneceu estável em comparação com 2023.
Segundo os pesquisadores, os homicídios femininos ocorridos dentro de casa não acompanharam a tendência de queda observada em outros tipos de violência letal. Isso evidencia que a violência doméstica segue resistente, mesmo diante da redução geral dos homicídios.
Para estados como o Maranhão, onde a taxa permanece acima da média nacional, os dados reforçam o desafio de fortalecer políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, combate à violência doméstica e ampliação da rede de acolhimento.
MULHERES NEGRAS
O Atlas também aponta que as mulheres negras continuam sendo as maiores vítimas da violência letal no país. Das 3.642 mulheres assassinadas em 2024 no Brasil, 2.457 eram pretas ou pardas, representando 67,5% dos casos.
Além da violência letal, houve aumento da violência doméstica não fatal. Em 2024, o Brasil registrou 293.842 mulheres vítimas de violência não letal, com crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior. A maior parte dos casos ocorreu em ambiente doméstico.
Os dados indicam avanço das notificações de violência sexual, negligência e agressões domésticas, reforçando o cenário de vulnerabilidade feminina no país e os desafios para estados nordestinos como o Maranhão.