Maranhão amplia empreendedorismo com 275 mil novas empresas nos últimos cinco anos

O Maranhão registrou um forte movimento de abertura e encerramento de empresas entre 2021 e 2025. Dados da Junta Comercial do Estado do Maranhão (Jucema) apontam que 275.693 novos negócios foram registrados no período, enquanto 119.799 empresas encerraram as atividades. Mesmo com o número expressivo de fechamentos, o estado manteve saldo positivo em todos os anos analisados.

Ao todo, foram 395.492 movimentações empresariais no período. As aberturas corresponderam a cerca de 70% dos registros, enquanto os encerramentos representaram pouco mais de 30%. Em 2021, 51.469 empresas foram abertas e 15.230 fecharam. Quatro anos depois, o número de novos registros chegou a 65.986, enquanto os encerramentos alcançaram 34.037.

O resultado de 2025 deixou um saldo de 31.949 empresas a mais abertas do que fechadas. O ritmo permaneceu positivo nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e junho, foram registrados 47.835 novos negócios e 22.267 encerramentos, diferença de 25.568 empresas.

Apesar da expansão do empreendedorismo, os números mostram que abrir uma empresa não significa necessariamente garantir sua permanência no mercado. Para o contador e professor Rafael Fontenele, parte dos fechamentos está relacionada à falta de planejamento antes mesmo do início das atividades.

Segundo ele, muitos empreendedores começam a operar sem saber quanto precisam vender para cobrir despesas como aluguel, energia, salários, impostos e fornecedores. Sem conhecer o ponto de equilíbrio, o empresário pode manter um negócio com movimento constante e, ainda assim, terminar o mês no prejuízo.

A situação tende a ser mais delicada entre pequenos negócios do comércio, que dependem diretamente do consumo. O poder de compra dos clientes, associado à necessidade de manter preços competitivos, pode reduzir as margens de lucro e comprometer a capacidade de sobrevivência da empresa.

A falta de capital de giro também pesa na continuidade dos negócios. O recurso é necessário para manter as operações durante períodos de vendas mais fracas, mas muitos empresários recorrem ao crédito somente quando o caixa já está comprometido. Nesse momento, o financiamento passa a ser utilizado para tentar corrigir uma dificuldade financeira já instalada.

Fontenele chama atenção ainda para a confusão entre faturamento e lucro. O dinheiro que entra no caixa precisa cobrir custos, impostos, salários e fornecedores antes de ser considerado resultado da empresa. Retiradas para despesas pessoais sem planejamento podem comprometer o caixa e acelerar as dificuldades financeiras.

Para reduzir o risco de fechamento, a orientação é profissionalizar a administração desde os primeiros meses. Separar as contas pessoais das empresariais, definir um pró-labore e manter uma reserva financeira capaz de cobrir de três a seis meses de despesas fixas estão entre as principais medidas recomendadas.

O acompanhamento contábil também pode contribuir para decisões mais seguras. Além das obrigações fiscais, o contador pode ajudar a identificar despesas excessivas, organizar o fluxo de caixa e avaliar alternativas legais para reduzir custos tributários.

Os números da Jucema mostram dois movimentos simultâneos no ambiente empresarial maranhense: o estado continua registrando milhares de novos negócios, mas uma parcela significativa também encerra as atividades. O desafio, portanto, não está apenas em abrir uma empresa, mas em criar condições para que ela permaneça ativa, tenha caixa suficiente e consiga transformar faturamento em lucro.

oinformante

Daniel Sousa

Autor no Blog do Daniel Sousa.

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