O Maranhão registrou uma redução de 42,4% no número de vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), consolidados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), apontam que o estado passou de 33 vítimas, em 2025, para 19 nos primeiros sete meses de 2026.
O resultado coloca o Maranhão entre os estados brasileiros com as maiores reduções percentuais no período. A queda registrada no estado foi superior à redução observada no cenário nacional, que passou de 876 para 848 vítimas de feminicídio, uma diminuição de 3,2%.
Além do Maranhão, outras unidades da Federação também apresentaram quedas expressivas. Entre os maiores recuos percentuais estão Rondônia, com redução de 64,7%; Piauí, com 57,1%; Acre e Roraima, ambos com 40%; e Distrito Federal, com 31,3%.
Em números absolutos, o Maranhão também aparece entre os estados que mais reduziram o número de vítimas. Foram 14 vítimas a menos nos primeiros sete meses de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
NORDESTE REGISTRA MAIOR REDUÇÃO
O desempenho do Maranhão ocorre em um cenário de redução dos feminicídios na Região Nordeste. Entre janeiro e julho, a região registrou 220 vítimas, contra 257 no mesmo período de 2025. A redução foi de 14,4%, a maior entre as cinco regiões brasileiras.
No Sudeste, os registros passaram de 317 para 302 vítimas, queda de 4,7%. Já a Região Norte apresentou redução de 85 para 84 vítimas, equivalente a 1,2%.
Na contramão, duas regiões registraram aumento. O Sul passou de 121 para 139 vítimas, alta de 14,9%, enquanto o Centro-Oeste subiu de 96 para 103, crescimento de 7,3%.
CENÁRIO NACIONAL APRESENTA QUEDA
No Brasil, foram contabilizadas 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, contra 876 no mesmo período do ano anterior. A redução corresponde a 3,2%.
A média móvel de feminicídios atingiu o maior patamar recente em março, com 141,8 vítimas, e apresentou redução nos quatro meses seguintes. Em julho, o indicador chegou a 119,8 vítimas. Na comparação com o pico de março, a queda foi de 15,5%.
PACTO NACIONAL CONTRA O FEMINICÍDIO
O enfrentamento à violência contra as mulheres também conta com o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, acordo interinstitucional assinado pelos Três Poderes da República em fevereiro de 2026.
A iniciativa busca integrar ações de prevenção à violência contra mulheres e meninas, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.
A proposta reconhece que o enfrentamento ao feminicídio depende da atuação conjunta de diferentes instituições e políticas públicas.
No âmbito federal, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério das Mulheres atuam de forma articulada, com ações voltadas à segurança pública, prevenção, proteção, produção e acompanhamento de dados e fortalecimento da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres.
OPERAÇÃO MULHER SEGURA
Outra frente de atuação é a Operação Mulher Segura, coordenada nacionalmente pela Senasp em parceria com as forças de segurança dos estados e do Distrito Federal.
Considerando as duas fases realizadas em 2026, a operação contabiliza 34,4 mil prisões, entre flagrantes e cumprimento de mandados judiciais.
As ações também somam mais de 150 mil atendimentos a vítimas e mais de 95 mil acompanhamentos de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs).
A operação reúne ações de prevenção, acompanhamento de mulheres protegidas por medidas judiciais, atendimento às vítimas, visitas preventivas, cumprimento de mandados e prisões em flagrante.
A segunda fase da operação continua em andamento, com os resultados sendo atualizados pelas Secretarias de Segurança Pública dos estados e do Distrito Federal.