PF coleta DNA da mãe de irmãos desaparecidos há oito meses no Maranhão

Polícia Federal coletou nesta quarta-feira (9), em São Luís, material genético de Clarice Cardoso, mãe dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, no Maranhão. O material deverá ser encaminhado para análise nos Estados Unidos, dentro das novas medidas de cooperação internacional acionadas pela Interpol para tentar localizar as crianças.

Clarice e a advogada da família, Nathaly Moraes, estiveram na sede da Polícia Federal, no bairro Cohama, onde participaram de uma reunião com policiais federais. Um perito da instituição foi acionado para realizar a coleta do material genético da mãe.

A medida faz parte da ampliação da investigação para o âmbito internacional. A Interpol disponibilizou ferramentas de cooperação que poderão auxiliar nas buscas e em possíveis procedimentos de identificação, caso surjam indícios de que os irmãos estejam fora do Brasil.

Material será usado nas investigações

A coleta do material genético de Clarice é considerada uma medida importante para a investigação, principalmente diante da possibilidade de localização das crianças em outro país.

O material poderá ser utilizado em confrontos genéticos e procedimentos de identificação, inclusive no âmbito das ações de cooperação com autoridades norte-americanas.

O caso também é acompanhado pelo Consulado Brasileiro junto às autoridades dos Estados Unidos.

Interpol amplia cooperação

Segundo a defesa da família, os recursos disponibilizados pela Interpol poderão ser utilizados caso apareçam indícios de que Ágatha e Allan estejam fora do Brasil.

A cooperação internacional da organização envolve 197 países e pode contribuir também para uma eventual repatriação das crianças.

O governador Carlos Brandão informou que os irmãos estão na lista da Interpol há meses. Segundo ele, a inclusão ocorreu a partir de uma articulação entre a Polícia Civil do Maranhão, a Polícia Federal e outras instituições.

Brandão afirmou ainda que as diligências continuam e que as informações recebidas estão sendo analisadas pelas equipes responsáveis.

A atuação da Interpol, porém, não significa que as crianças tenham sido localizadas. Até o momento, também não há confirmação de que Ágatha e Allan estejam entre as crianças resgatadas recentemente em uma operação nos Estados Unidos.

Defesa levantou possibilidade de tráfico humano

A advogada Nathaly Moraes já havia solicitado a participação da Polícia Federal nas investigações diante da possibilidade de envolvimento do caso com tráfico humano.

Segundo a defesa, inicialmente a PF informou que não havia elementos suficientes para justificar a transferência da investigação, que permanecia sob responsabilidade da Polícia Civil do Maranhão.

Com o avanço das articulações e a participação do Núcleo de Cooperação Internacional, a família espera ampliar as possibilidades de localização dos irmãos, inclusive fora do país.

Crianças desapareceram em janeiro

Ágatha Isabelly e Allan Michael desapareceram no dia 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, localizada na zona rural de Bacabal, a cerca de 250 quilômetros de São Luís.

O desaparecimento completou oito meses na última sexta-feira (4). Até o momento, não há informação confirmada sobre o paradeiro das crianças.

O governador Carlos Brandão reforçou o pedido para que qualquer informação que possa ajudar nas buscas seja encaminhada ao Disque-Denúncia, pelo número 181.

Daniel Sousa

Autor no Blog do Daniel Sousa.

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