
A derrota do grupo do governador Carlos Brandão (MDB) na disputa pelo Governo do Maranhão não pode ser atribuída ao desempenho de Orleans Brandão (MDB). Pelo contrário: diante de um cenário político adverso, marcado por rupturas, conflitos entre antigos aliados e uma candidatura construída em meio a turbulências, o jovem emedebista saiu das urnas com um resultado expressivo e um capital político que poucos imaginavam quando seu nome começou a ser apresentado como opção para a sucessão estadual.
O candidato assumiu uma missão que, inicialmente, não era sua. Foi lançado ao centro de uma guerra política fratricida, enfrentou adversários experientes, ataques de todos os lados e o peso de representar um governo em meio a uma disputa que dividiu antigos aliados.
Mesmo diante desse cenário, deu conta do recado.
Aos poucos, Orleans iniciou a trajetória eleitoral sob desconfiança, tratado por adversários como um simples “poste”, transformou-se em uma liderança capaz de enfrentar uma das mais duras disputas pelo Governo do Maranhão.
Orleans amadureceu politicamente mais do que qualquer outro candidato ao longo da campanha. Demonstrou coragem, equilíbrio e serenidade pouco comuns em alguém de sua idade e com tão pouca experiência em disputas eleitorais.
E os números ajudam a dimensionar essa trajetória.
Foram 1.354.044 votos, equivalentes a 34,76% dos votos válidos, um desempenho expressivo para quem disputava sua primeira eleição e enfrentava Eduardo Braide (PSD), eleito governador com 54,02%.
Para efeito de comparação, a soma dos votos de todos os candidatos que terminaram atrás de Orleans não chega sequer à metade de sua votação.
Não são números de quem simplesmente passou por uma eleição. São números de quem sai das urnas com capital político próprio e condições de construir uma trajetória de longo prazo.
Uma força que permanece
A votação de Orleans também precisa ser analisada sob outro aspecto: a força política que permanece nas mãos do governador Carlos Brandão, mesmo depois da derrota na disputa pelo Palácio dos Leões.
O grupo governista conseguiu eleger 31 deputados estaduais, formando uma ampla maioria na Assembleia Legislativa do Maranhão. Esse número pode chegar a 38 parlamentares, caso sejam contabilizados os sete deputados eleitos pelo PL, partido comandado no estado pelo ex-deputado federal Josimar de Maranhãozinho.
Em uma Casa composta por 42 parlamentares, trata-se de uma força política de enorme dimensão.
O dado ganha ainda mais importância quando se considera a futura eleição para a presidência da Assembleia Legislativa, uma disputa na qual o controle da maioria parlamentar será decisivo.
Mesmo sem permanecer no comando do Executivo estadual a partir de 2027, o grupo de Brandão reúne condições de exercer influência sobre a condução do Legislativo e sobre as principais articulações políticas do Maranhão.
Na Câmara dos Deputados, o cenário também é favorável ao governador. A bancada alinhada ao seu grupo político é a maior entre os agrupamentos maranhenses, ampliando sua capacidade de articulação em Brasília e mantendo canais importantes de interlocução com o governo federal.
Portanto, embora tenha perdido a eleição para governador, Brandão não sai do processo eleitoral politicamente esvaziado.
Pelo contrário: mantém uma estrutura partidária e parlamentar robusta, além de contar com uma liderança que acaba de receber a confiança de mais de 1,35 milhão de maranhenses.