Maranhão avança para ter conexão própria com rede internacional de cabos submarinos

O Maranhão avançou mais uma etapa para ter uma conexão própria com a rede internacional de cabos submarinos de telecomunicações.

A EllaLink instalou, a 3.690 metros de profundidade, a unidade de derivação que permitirá a implantação de um futuro ramal até São Luís.

O equipamento foi instalado durante a implantação do Lum@link, sistema submarino de aproximadamente 2.100 quilômetros que ligará Caiena, na Guiana Francesa, ao sistema da EllaLink nas proximidades de Fortaleza, no Ceará.

A estrutura preparada para o Maranhão permitirá uma futura conexão com essa rede, que também terá ligação com Sines, em Portugal.

A instalação da unidade representa uma etapa de preparação da infraestrutura, mas não significa que São Luís já esteja conectada à rede internacional.

A implantação do ramal ainda depende da conclusão das etapas de financiamento, levantamento marítimo, licenciamento e instalação do cabo até a capital maranhense.

O projeto está sendo desenvolvido pela EllaLink em parceria com a Agência Estadual de Tecnologia da Informação do Maranhão (ATI), em nome do Governo do Estado. Um segundo ramal será destinado a Salinópolis, no Pará.

CAPACIDADE INICIAL DE 17 TBPS

Os ramais destinados ao Maranhão e ao Pará foram planejados em conjunto e terão capacidade inicial combinada de 17 terabits por segundo (Tbps), com possibilidade de expansão posteriormente.

O modelo prevê que os dois estados tenham controle sobre a capacidade transportada pelos respectivos ramais, inclusive para comercialização.

A EllaLink será responsável pelo projeto, construção e operação inicial da infraestrutura, com posterior transferência da propriedade aos clientes estaduais.

Para o Maranhão, a nova estrutura cria uma alternativa de conexão com redes internacionais de alta capacidade, reduzindo a dependência de longas rotas terrestres para alcançar os principais pontos brasileiros de comunicação internacional.

A infraestrutura poderá atender demandas de telecomunicações, serviços digitais, computação em nuvem, data centers, redes corporativas e iniciativas de governo eletrônico.

O projeto também está relacionado à expansão da conectividade de banda larga e ao fortalecimento de serviços digitais em áreas como educação e saúde.

O Governo do Maranhão também relaciona a iniciativa a investimentos em fibra óptica, cibersegurança, data centers e inclusão digital.

ESTRUTURA TERÁ SENSORES PARA MONITORAMENTO

Além do transporte de dados, os ramais foram planejados para receber sensores SMART. Os equipamentos poderão coletar informações ambientais e sísmicas para pesquisas científicas e iniciativas de monitoramento climático e oceânico, com apoio da União Europeia.

A unidade destinada ao Maranhão foi fabricada e instalada pela Alcatel Submarine Networks (ASN). Esse tipo de estrutura permite a criação de novos ramais conectados ao sistema principal sem a necessidade de uma nova intervenção em águas profundas na rota já instalada.

PRÓXIMA ETAPA DEPENDE DE FINANCIAMENTO

A EllaLink já concluiu os estudos das rotas dos ramais destinados ao Maranhão e ao Pará, incluindo os trajetos marítimos e os pontos previstos para chegada em terra.

Também foram realizadas etapas preliminares relacionadas a licenciamento, avaliações ambientais e engenharia.

O próximo levantamento marítimo depende da conclusão do financiamento pelos estados.

Somente após essa etapa será possível avançar nas demais fases necessárias para a implantação efetiva dos cabos até São Luís e Salinópolis.

As unidades de derivação foram financiadas pelos governos estaduais com recursos não reembolsáveis da União Europeia.

Os dois ramais fazem parte do componente brasileiro do projeto Mais Conectado, voltado à expansão da infraestrutura digital na região amazônica, com previsão de cofinanciamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

O Lum@link, dentro do qual as unidades de derivação foram instaladas, deverá entrar em operação até o fim de 2026. A partir dessa infraestrutura, o futuro ramal maranhense poderá conectar São Luís ao sistema da EllaLink, ampliando as possibilidades de acesso do estado a redes internacionais de alta capacidade.

com informações, portaloinformante

Daniel Sousa

Autor no Blog do Daniel Sousa.

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