Pesquisa do Maranhão conquista prêmio nacional com tecnologia para o SUS

Uma pesquisa desenvolvida pela acadêmica de Biomedicina Francisca Elaine Dutra de Oliveira conquistou o Prêmio Inovação em Engenharia Biomédica para o SUS, na categoria Relatos de Experiência e/ou Startups. O estudo, intitulado “Vigilância Epidemiológica Computacional para o SUS: uma plataforma de design racional de biossensores de RNA”, apresenta uma abordagem inovadora para acelerar o desenvolvimento de testes moleculares voltados à vigilância epidemiológica de arboviroses. A cerimônia de entrega da premiação será realizada em dezembro, em Brasília.


Acadêmica de Biomedicina Francisca Elaine Dutra

Organizado pela Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB), com apoio do Ministério da Saúde e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o prêmio reconhece iniciativas de engenharia biomédica com potencial de contribuição para o Sistema Único de Saúde (SUS), considerando também os impactos dos projetos na vida da população. A premiação reúne trabalhos de países da América Latina.

“Essa premiação nos orgulha pelo reconhecimento do que fazemos em nosso estado e por promover maior alcance da pesquisa brasileira entre as soluções apresentadas para os desafios da saúde pública”, ressalta Elaine Dutra.

O estudo recebeu apoio do edital Deep Tech Catalyst, da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema). A chamada destinou R$ 4,55 milhões ao financiamento de até 15 propostas nas áreas de agricultura digital, biotecnologia e bioeconomia, energias renováveis e sustentabilidade, saúde e tecnologias sociais.

O programa busca incentivar soluções fundamentadas em descobertas científicas e engenharia avançada, aproximando pesquisas do setor empresarial, de investidores e do mercado.

“Esse apoio da Fapema foi decisivo para a colocação no prêmio nacional. É uma alegria e orgulho receber este reconhecimento e ver nosso trabalho valorizado”, pontuou Francisca Elaine.

Tecnologia busca reduzir tempo de desenvolvimento de testes

De acordo com a pesquisa, os testes moleculares empregados na vigilância de arboviroses ainda são desenvolvidos, em grande parte, por meio de processos experimentais baseados em tentativa e erro. Esse método pode prolongar o período necessário para a criação de ferramentas de diagnóstico e identificação de agentes infecciosos.

“Essa etapa pode ser cara e demorada, fazendo com que sejam necessários meses entre a identificação de um novo patógeno e a disponibilidade de um teste de triagem confiável”, alerta a pesquisadora.

Ela acrescenta que, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente em regiões com menor infraestrutura laboratorial, essa demora pode limitar a capacidade de resposta dos serviços de saúde diante de ameaças epidemiológicas.

A solução foi desenvolvida pela G.E.A.F. Biotecnologia e Inovação em RNA e utiliza uma plataforma computacional capaz de projetar biossensores de RNA de maneira determinística. Com base na sequência genética do agente que se deseja identificar, o sistema prevê uma estrutura com maior especificidade e estabilidade, reduzindo a necessidade de etapas experimentais para selecionar os sensores mais adequados.

“Na prática, o desenho de um novo sensor pode ser feito em dias, e não em meses”, destaca a proposta da pesquisa.

Além do financiamento da Fapema, por meio do programa Deep Tech Catalyst, o projeto conta com dois pedidos de patente depositados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), incubação pela IncubaScience/CETENE e aceleração pelo programa Emerge Brasil.

Aplicação na vigilância epidemiológica

A plataforma já passou por validação computacional para os vírus da Zika e da dengue. Segundo os resultados apresentados, a tecnologia alcançou uma discriminação termodinâmica mais de três vezes superior entre o alvo verdadeiro e os controles analisados.

A aplicação inicial prevista é a vigilância epidemiológica ambiental, por meio da análise de amostras de água e esgoto. A proposta permite realizar a triagem de diferentes patógenos sem precisar desenvolver novamente toda a tecnologia para cada agente que se pretende detectar.

Por ser uma solução inteiramente computacional e desenvolvida no Brasil, a plataforma também busca diminuir a dependência de tecnologias estrangeiras na área de diagnóstico molecular. A expectativa é que essa abordagem facilite a adoção da ferramenta por laboratórios de saúde pública, inclusive aqueles que dispõem de menos recursos para pesquisa e desenvolvimento.

com informações, portal o informante

Daniel Sousa

Autor no Blog do Daniel Sousa.

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