De Bacabeira a Alcântara, passando por São Luís: projetos bilionários, energia, tecnologia, turismo e logística formam uma nova agenda econômica para o Estado

O Maranhão começa a deixar de ser apenas uma terra de potencialidades para se transformar em um território de oportunidades concretas. Esta é a avaliação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Programas.Estratégicos (SEDEPE), que nos últimos anos esteve à frente de projetos em setores estratégicos, atuando decisivamente na atração de investimentos públicos e privados.
A SEDEPE foi criada com a missão de impulsionar o crescimento econômico, atrair investimentos, fomentar a inovação e criar um ambiente favorável aos negócios. A Secretaria também atua na elaboração de estudos e projetos em parceria com outras secretarias, órgãos públicos e universidades.
Um dos projetos mais impactantes está no município de Bacabeira. Depois de décadas de expectativas, a Zona de Processamento de Exportação do Maranhão (ZPE-MA) teve sua aprovação e entra agora em uma nova etapa. A projeção apresentada pela SEDEPE é de 30 mil empregos e R$ 15 bilhões em investimentos nos primeiros cinco anos. Para isso, foi necessário um trabalho de articulação técnica e política envolvendo diferentes instituições e autoridades federais.
Paralelamente ao esforço pela aprovação da ZPE, a Secretaria esteve durante meses atuando para a vinda do grupo Oil Group, que prevê investimentos de aproximadamente US$ 2,5 bilhões, com potencial para produzir 50 mil barris de petróleo por dia. A primeira refinaria modular projetada para o empreendimento poderá gerar 2.300 empregos somente durante sua implantação, de acordo com as informações apresentadas.
O projeto âncora da ZPE encontra-se aprovado pela CZPE, em fase de licenciamento ambiental. Mais do que a instalação de empresas, a ZPE representa a criação de um ambiente industrial voltado à produção e à exportação, conectando o Maranhão a novos mercados e cadeias produtivas. É uma mudança de escala: da expectativa de investimentos para a construção de uma plataforma de negócios com maior valor agregado.
Outro movimento estratégico foi a proposta de criação da Investe Maranhão, apresentada pela SEDEPE como a primeira agência de desenvolvimento do estado. A estrutura foi aprovada pela Assembleia Legislativa e possui personalidade jurídica e autonomia patrimonial e financeira. A missão é apresentar as potencialidades do Maranhão, prospectar negócios e estimular a cultura exportadora. Na prática, a agência pretende funcionar como uma ponte entre o Maranhão e investidores interessados em conhecer oportunidades no estado.
A adesão do estado a um cabo submarino de internet de alta conectividade e baixa latência foi outro avanço, com articulação do próprio secretário José Reinaldo Tavares junto ao Ministério das Comunicações. Isso resultou no
programa Maranhão Mais Conectado, com infraestrutura que poderá ampliar a.capacidade digital do Maranhão, favorecer a inclusão digital, fortalecer serviços públicos online e criar condições para novos negócios digitais.
Um dos objetivos apontados é preparar o estado para receber data centers e empreendimentos relacionados à inteligência artificial. A articulação envolve a empresa francesa EllaLink, instituições maranhenses e organismos financeiros internacionais. O financiamento prevê participação do BID e da Agência Francesa de Desenvolvimento, com parceria estadual da Agência de Tecnologia da Informação ATI e a SEAD.
Data centers, inteligência artificial, conectividade, segurança cibernética e serviços públicos e privados digitais estão entre os segmentos contemplados nos projetos apresentados para compor a ZPE digital. A proposta é associar tecnologia e energia sustentável para criar uma infraestrutura capaz de atrair negócios sustentáveis de maior valor agregado.
No coração de São Luís, outra frente de investimentos começa a ganhar forma: o Vila Galé Collection São Luís, empreendimento cinco estrelas da rede portuguesa Vila Galé, está previsto para o Centro Histórico. O projeto é apresentado como um dos maiores investimentos já realizados no turismo da capital maranhense e poderá contribuir para a reanimação econômica de uma das áreas mais simbólicas da cidade.
As negociações para trazer o grupo português ao Maranhão começaram em maio de 2022, com tratativas do secretário e técnicos da SEDEPE e da Maranhão Parcerias MAPA junto aos executivos no grupo hoteleiro. Enquanto o petróleo da MEQ aparece entre os grandes projetos industriais a explorar, o Maranhão também busca espaço na transição energética. A Biorrefinaria de Etanol 2G de Bambu, desenvolvida pela 4Wood Biotech, projeto aprovado para ZPE foi selecionada entre 14 projetos reconhecidos nacionalmente pelo Ministério de Minas e Energia e pela FGV-Energia.
A proposta é instalar a biorrefinaria na ZPE-MA e desenvolver produção florestal de bambu na região do entorno com pequenos produtores da agricultura familiar. A tecnologia prevê transformar fibras de bambu em etanol de segunda geração, além de produtos como ácido acético, furfural e lignina de alta pureza. Comoafirma documento da SEDEPE, trata-se de uma tecnologia inédita nas Américas.
Nem todos os projetos têm como destino uma fábrica, um porto ou um data center. Entre as propostas elaboradas pela Secretaria está a Casa de Esperanças, programa voltado ao desenvolvimento humano na primeira infância. Inspirado nas teorias do economista James Heckman, vencedor do Nobel de Economia de 2000, o projeto prevê atendimento multidisciplinar a crianças de zero a cinco anos e 11 meses, gestantes e famílias em situação de vulnerabilidade. Educação, saúde, esporte, cultura, lazer, alimentação e assistência estão entre os serviços previstos. A proposta parte da ideia de que investir nos primeiros anos de vida pode contribuir para reduzir desigualdades sociais e ampliar oportunidades futuras para formar capital humano.
Outro projeto de grande relevância é o de energia limpa e renda para comunidades tradicionais: o Raízes Solares acrescenta outra dimensão à agenda. O programa foi elaborado para apoiar a gestão territorial e socioambiental de povos originários e comunidades tradicionais do Maranhão. A proposta inclui energia solar, conservação ambiental, fortalecimento das organizações comunitárias, autonomia e geração de renda.
Na comunidade quilombola de Piqui da Rampa, em Vargem Grande, técnicos da SEDEPE e representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário participaram de uma escuta pública sobre a implantação do projeto. A proposta prevê que a geração de energia limpa possa se transformar em uma fonte adicional de renda, complementando atividades agroextrativistas. O projeto.foi apresentado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar,.aprovado e sua primeira fase está implantada, enquanto aguarda viabilização federal para prosseguir com a 2ª fase.
Há ainda um dos maiores projetos de logística do Brasil: o Terminal Portuário de Alcântara, associado à Ferrovia EF-317 e à conexão com a Ferrovia Norte-Sul. A proposta já foi avaliada em estudo técnico do Banco Mundial como uma alternativa logística para o Arco-Norte brasileiro. O terminal projetado terá oito berços profundos, com 25 metros de profundidade natural e 400 metros de comprimento. A estrutura permitiria a operação de grandes navios simultaneamente. A ferrovia, por sua vez, deverá se conectar ao sistema ferroviário existente e à Ferrovia Norte-Sul. A nova estrutura poderá contribuir para uma redução de até 17% no custo do frete, dependendo do destino.
Em diferentes regiões do Maranhão, projetos de natureza distinta começam a formar uma espécie de mapa de novas oportunidades. A SEDEPE mantém articulação com bancos, organismos internacionais, empresas, universidades e órgãos públicos. A Secretaria também realiza missões técnicas para conhecer experiências e modelos que possam ser adaptados ao Maranhão, que tem diante de si uma agenda que combina bilhões de reais em investimentos projetados, tecnologia, energia, turismo, logística e desenvolvimento social.
Os projetos apresentados são ambiciosos. Anunciam geração de emprego e renda; novas empresas instaladas; tecnologia incorporada e melhoria concreta das oportunidades aos maranhenses, sendo assim, devem ser encarados como projetos de Estado.
O secretário adjunto José Domingues Neto destaca a missão da pasta de integrar instituições e setores para melhorar o ambiente de negócios, atrair investimentos e promover o desenvolvimento do Maranhão. “Dialogando com a academia, apoiamos o agronegócio, a mineração e a indústria, fortalecendo a infraestrutura logística e a resiliência hídrica e energética das fronteiras em expansão. Com visão estratégica e integração interinstitucional, buscamos sempre preparar capital humano e apoiar o Maranhão para as oportunidades e desafios do futuro”, explica Domingues.